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 Sagarana - Resenha

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AutorMensagem
Flávio Machado
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Mensagens : 86
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MensagemAssunto: Sagarana - Resenha   Sex Dez 02, 2016 8:55 am

Faça uma resenha crítica de um dos contos da obra Sagarana, contendo aproximadamente 15 linhas.
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Lucas Souza



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Data de inscrição : 14/11/2014

MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Ter Dez 06, 2016 1:47 pm

Guimarães Rosa, ao produzir a obra ''Sagarana'', buscou retratar a vida costumeira do sertanejo, e pode-se afirmar que o conseguiu de maneira sublime, já que foi capaz de trazer aos contos uma riqueza imensurável de detalhes, obtidos em seu comprometimento e convívio com distintos povos regionais.
Outrossim, vale ressaltar a capacidade do autor de transmitir conteúdos filosóficos aos leitores por meio de falas e situações ordinárias, dentro de um cotidiano corriqueiro.
O conto ''O Burrinho Pedrês'' representa uma analogia muito clara com o Empirismo, importante linha de pensamento filosófico que assimilava e quantificava o conhecimento de cada indivíduo conforme sua vivência e suas experiências sensoriais. Sete-de-Ouros, protagonista, participante de uma expedição que guiava o gado e burro mais velho dentre os integrantes da tropa do Major Saulo, era constantemente depreciado pelos ''peões'', por seu jeito mais conservador, sempre tomando caminhos que o poupava de maiores esforços. Sempre que podia, o animal buscava ''ficar na sua'', em estado de descanso, mas, não menos frequente, era atormentado e convocado para seguir viagem. Todavia, a personalidade tão preterida do burro - ao fim do livro - se torna seu triunfo, já que quando o bando necessita atravessar um rio, a experiência do animal salva a si mesmo e a outros dois cavalheiros, tão acostumados a menosprezá-lo. Guimarães, portanto, busca valorizar as características do animalzinho e critica qualquer tipo de desmerecimento.
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Laura Albuquerque



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Qua Dez 07, 2016 8:22 pm

O autor Guimarães Rosa quis relatar através dos contos a vida do sertanejo, com suas devidas regalias e dificuldades. Apesar de ele usar a linguagem característica, Guimarães, utiliza questões filosóficas nas falas de seus personagens e faz um paralelo à vida deles. Começa em quase todos os contos mostrando os defeitos e pontos fracos dos protagonistas, para que no decorrer da história este mude e torne-se "do bem", ou seja para mostrar que todo mundo tem a sua hora e sua vez de ser reconhecido.
O fato de o autor ter presenciado as suas histórias garantiu grande detalhamento em sua obra.
Um assunto que foi abordado durante o seminário que foi desenvolvido por nós sobre o conto "O Burrinho Pedrês", trouxe atenção para o fato de o autor utilizar de várias fontes para enriquecer sua obra. O nome do burrinho (Sete-de-Ouros) pode ser visto no baralho, como uma carta que não é alta, mas que também não é descartável, e é exatamente como ele descreve o burrinho durante o conto.
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Laura Alves



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Qui Dez 08, 2016 1:57 pm

O autor Guimarães Rosa retrata detalhadamente por meio dos contos da obra Sagarana a vida do sertanejo, retratando as dificuldades que estes passam. No conto "O Burrinho Pedrês é possível identificar o paralelo que o autor faz. Por mais que durante quase todo o conto sejam abordados apenas os defeitos de Sete-de-Ouros, e ele sendo desprezado pelos "peões", no final da história ele acaba se tornando o "herói" por salvar todos os cavaleiros na hora de atravessar um rio.
É interessante que o nome do burrinho é o nome de uma carta de baralho, a qual não tem muito valor, porém não pode ser desprezada também. Esta é a visão do burrinho que o autor nos passa. Uma similaridade importante da maioria dos contos é que, no início da história, são revelados os pontos fracos e negativos das personagens, e no decorrer, podemos notar características fortes e atos marcantes, ou seja, Guimarães Rosa escreve sobre os defeitos dos protagonistas e depois os supera com qualidades.
Neste conto, ele valoriza as características do animal, e é contra qualquer tipo de menosprezo.
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Vitor Rocha



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha    Qui Dez 08, 2016 8:00 pm

Guimarães Rosa, em sua obra Sagarana, retrata a vida e o cotidiano do sertanejo e traz em praticamente todos os contos um enorme leque de detalhes, os quais podem ser vistos nos inícios dos contos, em que o autor descreve e caracteriza minuciosamente os personagens principais.
O burrinho pedrês é uma história que metaforiza a experiência da velhice, um burrinho experiente sabe se orientar onde cavalos de boa montaria sucumbem, além de sobrepor a inteligência humana em um contexto em que o animal é desprezado e taxado com inútil. A trama desse conto, como nas demais narrativas de Guimarães Rosa, é relativamente simples. O burrinho pedrês é uma história sugerida por um acontecimento real, passado no interior de Minas Gerais, envolvendo um grupo de vaqueiros em uma condução de uma boiada. O nome do burrinho, Sete-de-Ouros, é recoberto pela magia de um número místico (sete) e pela força simbólica do ouro, indicador de superação e sagacidade. Nesse contexto, Guimarães critica o desmerecimento em relação ao burrinho e acaba trazendo uma surpresa no final do conto, no qual durante a travessia de um rio transbordado, todos os cavalos poderosos e fortes acabam morrendo e somente Sete-de-Ouros consegue chegar ao destino e incrivelmente salvar dois vaqueiros.
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Vitor Hugo



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 12:18 pm

É notável em Sagarana o estilo marcante de Guimarães Rosa, cuja principal caraterística é a oralidade. Em O burrinho pedrês, primeiro dos nove contos, Guimarães procura mostrar, tendo como plano de fundo o mundo dos vaqueiros, que todos têm a sua hora e sua vez de ser útil.
O burrinho Sete-de-Ouros, protagonista da história, simboliza o peso da vida quando “Carregado de algodão”, o trabalho do burrinho, e metaforiza a carga dos homens, o peso do mundo, como fardos de algodão.
Outro detalhe que vale a pena destacar é a o nome do burrinho (Sete-de-Ouros), com referências tanto da "magia" envolvendo o numero 7 quando de todo o simbolismo do ouro.
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Eduarda Araújo



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 1:20 pm

A obra de Guimarães Rosa se caracteriza por dois aspectos fundamentais. Em primeiro lugar, pela tendência a conferir tratamento universal a temas de ambientação regional, quase sempre ligados ao interior de Minas Gerais. Em segundo lugar, pela linguagem elaborada pelo escritor que se tornou sua marca registrada.  Entre os contos que escreve em “Sagarana”, merece destaque especial “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”. Tido pela crítica como um dos mais importantes contos de nossa literatura, condensa os vários temas presentes no livro: o sertão, o povo, a jagunçagem, a religiosidade e o amor.Por meio de vários elementos simbólicos, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” trata de um tema muito presente na obra de Guimarães Rosa: o maniqueísmo, ou seja, a visão dualista de mundo que o separa em dois polos opostos: o bem e o mal. Na literatura, essa visão tende a criar tipos opostos de personagens: o mocinho e o bandido, o trabalhador pai de família e o bandido e assim por diante. Nesse conto, a transformação por que passa Augusto Matraga entre o começo e o fim da história não permite seu enquadramento em um polo único.
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Léo Alves



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 2:17 pm

Em o burrinho pedrês, o primeiro dos nove contos,Guimarães procura mostrar tendo como pano de fundo a vida dos vaqueiros, que tudo tem sua hora de ser util. É o caso do burrinho Sete-de-Ouros. Nesse conto assim como em outros contos de Guimarães, os animais viram herois, questionando o saber dos homens com o seu suposto não saber. A ironia do escritor vale-se do decadente burrinho para pôr a nu a onipotência presunçosa do homem, que julga controlar o próprio destino, ignorando as inesperadas surpresas que este lhe reserva. A perspectiva místico-religiosa, a luta entre o bem e o mal, os riscos morais que acompanham o homem no perigoso ofício de viver, são os temas preponderantes que alimentam a ficção. Desde o início do conto "Era um burrinho pedrês" esboça-se claramente a atitude ingênua e espontânea da “palavra lúdica”, que não aprisiona o falar nos limites rígidos do individualismo, mas se identifica com a palavra anônima e coletiva.
A travessia, a superação de obstáculos por ocultos caminhos é uma imagem freqüente em Guimarães Rosa, como também a presença de forças mágicas, da natureza, atuando sobre o mundo e mostrando as possibilidades de os fracos se tornarem fortes, de se saber uma vida no resumo exemplar de apenas um dia.
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Vitor brito



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 2:38 pm

A obra de Guimarães Rosa apresenta traços do cotidiano da vivencia do sertanejo, onde ocorre fatos ate mesmo inusitados para as pessoas que não conhecem o sertão, devo dizer que o autor teve maestria na construção dos aspectos extremamente detalhados expostos por ele.
Guimarães Rosa viajou pelo sertão mineiro para aprender os costumes e como fala o próprio sertanejo, com isso ele desenvolveu uma gama de conhecimento que fica explicito nos contos nos quais os personagens tem falas, sotaques e costumes típicos do sertão.
Em cada conto o autor nos mostra ensinamentos de filosofia e vivencia nas palavras do sertanejo, como exemplo disso no conto "A hora e a vez de Augusto Madraga" após o personagem principal ser quase morto é acolhido por um casal de negros, que ele denomina mãe preta e pai preto. Muitas vezes nas palavras de mãe preta nota se um conhecimento profundo de filosofia transcrito no modo de se expressar típico do sertanejo, além de uma sabedoria imensa adquirida pela vivencia num local hostil como sertão mineiro.
Muitos casos como esse se repetem durante todo o livro. Como exemplificado no conto "Burrinho pedrês", após todos repugnarem serem vistos montados em um burro pela cidade, ironicamente, os únicos que sobrevivem de uma catástrofe foram o homem que o montava e outro que conseguiu se segurar no rabo do burro. Momento o qual é notório a sabedoria do burrinho em atravessar um rio no qual vários outros cavalos tentaram sem sucesso.    
Um dos objetivos de Guimarães Rosa nesses contos foi passar um conhecimento aos leitores utilizando metáforas e historias de vivencia e em alguns casos ate exemplificar a mudança completa de alguns personagens por meio da dor e do sofrimento em pessoas melhores.
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João Vitor Valadares



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 2:46 pm

Guimarães Rosa nos coloca sobre traços até então pouco vistos na literatura da época, e na sua excelente obra "Sagarana" não é diferente. A principal peculiaridade do autor é sem dúvidas a oralidade, ou seja, a capacidade de se escrever da maneira como se fala, e além disso a obra está repleta de palavras inventadas por ele.
A obra "Sagarana" se divide em nove contos, e dentre eles um dos mais complexos e que merece destaque é “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”. Nesse conto, o autor vai misturar vários temas como amor, o sertão e a religiosidade, em uma narrativa com enfoque na vida do personagem Augusto Matraga. O que é de mais interessante ressaltar sobre essa história é o maniqueísmo, ou seja, a visão dualista de mundo que o separa em dois polos opostos: o bem e o mal. É muito comum na literatura criar os esteriótipos dos personagens logo no inicio da história, pautado na ideia de "mocinho e bandido", no entanto no decorrer do conto o personagem Augusto Matraga sofre uma transformação que vai de um extremo a outro, o que impossibilita caracterizar esse conto de Guimarães Rosa na antiga perspectiva literária, de fato é algo inovador.
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Paulo Emílio 02



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 2:46 pm

No conto O Burrinho Pedrês, Guimarães procura mostrar tendo como pano de fundo a vida dos vaqueiros, uma história que metaforiza a experiência da velhice, um burrinho experiente sabe se orientar onde cavalos de boa montaria não conseguem, além de sobrepor a inteligência humana em um contexto em que o animal é desprezado e taxado com inútil. Esse conto, como nas demais narrativas de Guimarães, é relativamente simples. O burrinho pedrês é uma história sugerida por um acontecimento real, passado no interior de Minas Gerais, envolvendo um grupo de vaqueiros em uma condução de uma boiada.
É interessante que o nome do burrinho é o nome de uma carta de baralho, quel não tem muito valor, porém não pode ser desprezada. Esta é a visão do burrinho que o autor nos passa. Uma similaridade importante da maioria dos contos é que, no início da história, são revelados os pontos fracos e negativos das personagens, e no decorrer, podemos notar características fortes e atos marcantes.
Nesse conto, o autor critica o desmerecimento em relação ao burrinho e acaba trazendo uma surpresa no final do conto, no qual durante a travessia de um rio transbordado, todos os cavalos poderosos e fortes acabam morrendo e o burrinho consegue chegar ao destino e salvar dois vaqueiros.
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Rafaela Arruda



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 2:51 pm

A obra de Guimarães Rosa, "Sagarana" - 1946, nos permite ler e conhecer um pouco da realidade dos habitantes do sertão nordestino, uma vez que este viajou por grandes partes, afim de conhecer a realidade. Devido à experiência vivida pelo autor, a obra se mostra rica em detalhes e situações cotidianas típicas do local, tornando a obra ainda mais excepcional.
Durante toda a obra Guimarães tenta nos passar conhecimentos e em vezes metáforas e questões filosóficas. No conto O Burrinho Pedrês, por exemplo, o nome do animal é Sete de ouros, o que trouxe a muitos uma certa reflexão. Poderia ser uma metáfora com relação ao peso que a vida causou e o como transformou o burrinho, antes tão bom; e podemos ainda ir mais longe citando o empirismo, com relaçao às experiências de vida do animal, salvando a vida dele e de mais dois homens no fim da história e ainda o colocando acima de cavalos novos e vezes mais fortes que o próprio burrinho, levando assim em conta que a sabedoria por vezes pode nos ajudar muito mais do que a força ou juventude.
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Maria Luiza



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 4:25 pm

O conto “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” trata de vários temas, o povo, o amor, a religiosidade, e o sertão. A historia mostra os dois lados do mundo, bem e o mal, a transformação por que passa Augusto Matraga entre o começo e o fim da história não permite seu enquadramento em um um único lado. No início, Nhô Augusto é um coronel que dá ordens em todos na região, abusando de seu poder e humilhando a população, um típico sertanejo. Analisando o nome do jagunço Joãzinho, um nome comum, e no diminutivo, parece indicar um lado afetivo, totalmente oposto ao caráter do personagem.A maldade de Joãozinho Bem-Bem foi incorporada no decorrer de sua vida.Assim como Nhô Augusto nasce ruim e posteriormente se torna bom, Joãozinho Bem-Bem parece tornar-se ruim depois de ter sido bom. Essa transformação dos personagens tem fim com a chegada da “hora e vez” de Matraga, o confronto com Joãozinho Bem-Bem. Nesse momento os conceitos de bem e mal são desconsiderados.
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Nicole Valadares



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 4:55 pm

A obra de Guimarães Rosa retrata uma fusão entre o real e o mágico, nos permite conhecer a realidade de um sertanejo e a diversidade linguística que há em toda nação brasileira, as quais eram anotadas pelo autor durante a construção do livro. No livro, ele revitaliza recursos da expressão poética, dando ênfase à fala dos personagens. No conto Burrinho Pedrês  é uma história sugerida por um acontecimento real, envolvendo um grupo de vaqueiros em uma condução de boiada. O Burrinho demostra a experiência da velhice. Seu nome Sete-de-Ouros é recoberto pela magia de um número místico (sete) e pela força simbólica do ouro, indicador de superação e sagacidade. Dessa forma, ao decorrer da história, os vaqueiros passam por uma travessia de um rio transbordado, todos os cavalos poderosos morrem e apenas o burrinho consegue chegar ao destino e salvar dois vaqueiros. Assim, o autor demonstra a superação e a experiência que as pessoas mais idosas possuem, e que não se deve julgar apenas pela imagem.
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Letícia Sousa



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 5:29 pm

A obra de Guimarães Rosa retrata a realidade da vida no sertão, apresentando um novo modo de repensar as dimensões da cultura, com caráter linguístico diferenciado, que com toda a experiência do autor, é possível observar a riqueza de detalhes em que a obra decorre, possibilitando imaginar o cenário em que acontece os contos com situações cotidianas daquela região.
No conto "O burrinho pedrês, por exemplo, os fatos acontecem com tanto seguimento, que nos permite compreender o que está implícito, além da "moral" imposta no final da história. O mundo dos vaqueiros tem sua vez, metaforizando a experiência da velhice, um burrinho experiente sabe se orientar, ao contrário de cavalos de boa montaria, transformando Sete-de-Ouros em herói, ironizando a incapacidade do homem diante do burro, bem como a representação dos cavaleiros é feita.
É uma história de superação, até mesmo pela forma linguística em que o nome do título leva-nos e crer em uma fábula - O burrinho pedrês - como nas demais lendas.
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Daniana Pereira



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 5:50 pm

Esse título "Sagarana" é bastante feliz, as histórias são contadas “como se fossem lendas”, o que sugere que talvez não sejam. De fato, as narrativas de Sagarana oscilam entre o real e o irreal. Os narradores dele têm o estilo marcante criado por Guimarães Rosa, cuja principal característica é a oralidade. Também a linguagem supera sua matriz regional, para fazer-se universal na estilização da fala sertaneja. Esta constitui, de fato, o ponto de partida: a oralidade e o ritmo aludem ao falar mineiro. O espaço é quase sempre Minas Gerais. Mais especificamente, o interior do estado. Vale uma atenção maior para o nome dos povoados e vilarejos dos contos. Os estados de Goiás e do Rio de Janeiro são mencionados no livro, mas têm pouca relevância na narrativa.Personagem inesquecível é Augusto Matraga, do último conto do volume. Sua trajetória, da incapacidade de compreender recados místicos até o pleno entendimento dos mistérios da existência, que o leva, no momento da morte, a encarnar a justiça divina de forma inusitada, tornam o personagem figura obrigatória de qualquer antologia da literatura brasileira.
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Alice Alves



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 7:00 pm

A obra "Sagarana" de Guimarães Rosa procura retratar o cotiano e as dificuldades da vida dos sertanejos. Em O burrinho pedrês, Guimarães procura mostrar, que todos sim podem ser úteis. O burrinho pedrês é uma história que metaforiza a experiência da velhice, um burrinho experiente que sabe se orientar onde cavalos de boa montaria não resistem, transformando animais em heróis. A perspectiva místico-religiosa, a luta entre o bem e o mal, os riscos morais que acompanham o homem nos seus encargos, são os temas preponderantes que alimentam a ficção. O titulo da obra, Sagarana, vem de "SAGA", radical de origem germânica, que significa “canto heróico”, e "RANA", língua indígena, que significa “à maneira de”, Guimarães uniu o idioma brasileiro com a matriz européia como pode ser observado.

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Leandro Libério



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 7:15 pm

Guimarães Rosa em sua obra Sagarana, escreveu uma série de contos que retratam a vida do sertanejo no campo. A obra tem por nome SAGARANA, "SAGA", radical de origem germânica, que significa canto heróico e "RANA" que significa "a maneira de". O autor incorporou uma série de detalhes da vida do campo que auxiliam na imersão aos contos, além disso ele aborda certas filosofias em suas obras.
Um exemplo disso é O Burrinho Pedrês que aborda o Empirismo, filosofia na qual afirma que o conhecimento vem do experimento, neste conto tem a presença de diversos personagens que possuem longos "Backgrounds" próprios e em diversos momentos eles demonstram ser "bem vividos" assim ganhando respeito. O personagem principal neste conto é um Burrinho chamado Sete-de-Ouros, que já possui uma idade bem avançada e só procura sossego e tranquilidade na fazenda. É importante ressaltar que todos confiavam na intuição do burrinho, inclusive diversas vezes deixaram ele escolher o caminho, justamente por ele ser velho e experiente, logo já vivenciou e passou por diversas situações que lhe renderam experiencia para tomar certas decisões, que é exatamente o que o Empirismo afirma.
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Ana Júlia Defeo



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 7:44 pm

João Guimarães Rosa, ao escrever o livro "Sagarana", procura relatar por meio de contos a realidade sertaneja, seja ela por misticidades, crenças, ou religiosidade. A riqueza de detalhes e a forma que a obra é narrada (marcas de oralidade e presença de sotaque), nos passam a ideia de que são histórias verídicas e não apenas ficção. A misticidade e a crença e a religiosidade - mencionadas anteriormente - se mostram altamente presentes. As duas primeiras são relatadas tanto no nome do Burrinho Sete de Ouros do primeiro conto da obra, ressaltando tanto a importância do número sete e a carta no jogo de truco (inicialmente não importante mas que mesmo assim pode garantir uma vitória) , quanto em "A Hora e a Vez de Augusto Matraga" (último conto da obra), que também é dada uma relevância ao número 3, seja ela pelos 3 nomes do personagem principal (Augusto Matraga, Augusto Esteves e Nhô Augusto), ou por este viver em trios (inicialmente, na praça, ele está com duas prostitutas; em casa, ele vive com a mulher e a filha; depois de ter sido surrado e marcado a ferro, vive com um casal de pretos; e, no final, aparece um último trio: ele, Joãozinho Bem-Bem e o velho a quem protege.).  A religiosidade se encontra presente também no último conto. A fé em Deus e a busca por um lugar no paraíso caracterizam a pequena narração. Outro ponto a ser observado, é a riqueza de detalhes ao descrever o cenário: o Interior de Minas Gerais - o Sertão Mineiro; tal fato passa uma veracidade à história.
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Luiza Rosa



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 8:12 pm

Em Sagarana,Guimarães Rosa tem por objetivo revelar a realidade no sertão.No conto "O Burrinho Pedrês,Rosa mostra que todo indivíduo tem seu valor e é capaz.O burro já considerado velho e fraco,mostra a todos sua capacidade,metaforizando sua experiência,quando salva dois homens funcionários de seu proprietário.
Sete-de-Ouros,o nome do burro,tem vários significados,como por exemplo o número místico(sete) e o grande valor do ouro,que é superação,mostrando que os fracos podem se tornar fortes.
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Maria Amélia



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 8:49 pm

Guimarães Rosa dá ao regionalismo um novo significado, o folclórico, pitoresco, documental cede lugar a uma nova maneira de ver e repensar a cultura. No conto "A hora e a vez de Augusto Matraga" temos a visão dualista do mundo, entre o bem e o mal. Na leitura do conto essa visão fica muito clara com os personagens Nhô Augusto (no inicio da historia ele é descrito como a tipica figura do sertanejo, imponente e abusado) e Joãozinho Bem-Bem (jagunço). Ao longo da história podemos ver a trajetória de redenção de Augusto e podemos supor que Joãozinho era um homem bom que com o tempo foi se tornando ruim (determinado pelo meio).
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Danilo Cesar



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sex Dez 09, 2016 9:07 pm

O Burrinho Pedrês
No conto do Burrinho Pedrês o personagem a ser chamado de principal é o burro Sete-de-Ouros, que durante a sua descrição é velho, manso e tudo o que faz tem o objetivo principal de se poupar. Durante o texto essas características são provadas e outras novas são tratadas. Porem, durante a principal dificuldade do grupo o único que conseguiu se salvar foi o burrinho. Apos o acontecido podemos fazer um paralelo que apesar de sua velhice, estar desgastado e ser preguiçoso ele é um animal inteligente e age com instinto. Tenta se poupar com o objetivo de não passar por dificuldades ate quando puder e quando elas vierem ele estar preparado e conseguir se orientar e se salvar. Ocorre durante o conta a comparação da velhice-experiencia com a juventude-força, em que a experiencia ganha.
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Gabriele Álvares



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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   Sab Dez 10, 2016 4:39 am

São nove contos ou novelas,  que descortinam o universo da linguagem regionalizante de Guimarães Rosa e recriam, na ficção, a vida de personagens saídos interior de Minas Gerais. A grandeza dessas produções narrativas não está apenas presa ao cenário, ou à linguagem, mas à riqueza da experiência humana traduzida através de personagens que parecem, em certos momentos, vencer suas fraquezas humanas para entrar para a galeria dos mitos e heróis do sertão. Em O burrinho pedrês, o narrador heterodiegético passeia entre os personagens. Na história, um velho burro é escalado, na falta de cavalos, para acompanhar um grupo de vaqueiros que conduz uma boiada. Subestimado, o animal é o único que sobrevive, junto com dois vaqueiros, a uma cheia no rio que deveriam atravessar.
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MensagemAssunto: Re: Sagarana - Resenha   

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